José Maycom da Silva Cunha
Universidade de São Paulo | São Paulo, SP, Brasil
maycon1cunha@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-2624-4949
Leonardo da Rocha Bezerra de Souza
SEDUC | São Benedito, CE, Brasil
lrb.souza@gmail.com
O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), instituído em 1978 a partir da Conferência Habitat I, consolidou-se como uma das principais iniciativas globais voltadas à promoção de cidades mais justas, inclusivas e sustentáveis. Nesse contexto, o mês de outubro foi internacionalmente reconhecido como Outubro Urbano, período dedicado à mobilização de governos, instituições, coletivos e cidadãos em torno do debate sobre os desafios e futuros das cidades. A agenda se inicia com o Dia Mundial do Habitat, celebrado na primeira segunda-feira do mês, e se encerra com o Dia Mundial das Cidades, incentivando reflexões e ações que visem à melhoria da qualidade de vida nos espaços urbanos. No Brasil, desde 2018, o ONU-Habitat fortalece essa mobilização por meio do Circuito Urbano, iniciativa que articula e dá visibilidade a eventos realizados em diferentes territórios do país. É nesse cenário que se insere a proposta do Coletivo Fulor de Mulungu, cuja trajetória emerge no contexto crítico da pandemia de Covid-19. Nascido em meio a um período marcado por crises sanitárias, sociais e políticas, o coletivo se constitui como um espaço de encontro, escuta e elaboração crítica da realidade contemporânea. Assim como a flor que lhe dá nome, a Fulor de Mulungu simboliza resistência e florescimento em condições adversas, reunindo pessoas conectadas por afetos, inquietações e desejos de transformação. Desde sua criação, o coletivo tem promovido diálogos e caminhos reflexivos sobre as múltiplas dimensões da crise contemporânea, consolidando-se como uma rede de produção de pensamento e ação sensível diante dos desafios do presente.
O Coletivo Fulor de Mulungu organizou o evento “Cidade em disputa: transições energéticas e financeirização do urbano” na edição do Outubro Urbano de 2025, propondo um espaço de reflexão crítica sobre os impactos sociais, territoriais e simbólicos de dois processos centrais na contemporaneidade: a expansão das energias renováveis e a financeirização do espaço urbano mediada por plataformas digitais. Estruturado em formato de conferências, o evento reuniu pesquisadoras e pesquisadores em diálogo com comunidades diretamente afetadas, buscando tensionar os discursos de inovação e sustentabilidade que frequentemente acompanham tais transformações, mas que, na prática, podem intensificar desigualdades, expropriações e deslocamentos. A primeira conferência abordou as contradições da transição energética no semiárido potiguar, destacando os efeitos da instalação de usinas eólicas e solares sobre modos de vida, paisagens e permanência nos territórios. A segunda voltou-se à realidade urbana de Natal, analisando os processos de turistificação e especulação imobiliária, com ênfase no papel de plataformas como o Airbnb na reconfiguração de áreas centrais e litorâneas. Ao articular crítica social, antropologia urbana, etnografia visual e escuta sensível, o evento buscou evidenciar as disputas em torno do direito à terra, à moradia e à cidade, afirmando a urgência de políticas orientadas pela justiça territorial, ambiental e social.
Como desdobramento dessas experiências, emerge a criação dos Cadernos Mulungu: revista de ciências sociais e artes, uma publicação semestral, de fluxo contínuo, dedicada a fomentar o diálogo entre as ciências sociais, as artes e outras áreas do conhecimento. O periódico se propõe como um espaço de experimentação crítica e interdisciplinar, acolhendo produções que tensionam leituras hegemônicas e ampliam formas de compreender o mundo contemporâneo. Nesse sentido, a presente iniciativa editorial nasce também do desejo de registrar, expandir e colocar em circulação as reflexões suscitadas no Outubro Urbano de 2025, reunindo textos, ensaios e reações que dialogam com as questões levantadas durante o evento, fortalecendo redes de pensamento e ação comprometidas com a transformação social.
No ensaio “Do sertão à cidade: a fantasmagoria e a insaciável fome da modernidade”, José Maycom da Silva Cunha analisa criticamente as transformações contemporâneas no Rio Grande do Norte, articulando a expansão das energias renováveis no sertão e a financeirização das cidades por meio de plataformas digitais. A partir de uma abordagem interdisciplinar, o autor argumenta que ambos os fenômenos compartilham uma mesma lógica temporal da modernidade capitalista, marcada pela aceleração, pela promessa de futuro e pela insaciabilidade do consumo. Utilizando a metáfora da “fome” inspirada no mito de Erisícton, o texto demonstra como esse modelo produz impactos sociais, territoriais e simbólicos, gerando deslocamentos, conflitos e esvaziamento de vínculos comunitários. Assim, o artigo propõe compreender essas dinâmicas como “fantasmagorias” modernas, evidenciando a necessidade de repensar o desenvolvimento a partir da justiça territorial, da escuta das populações afetadas e da valorização de modos de vida não subordinados à lógica do capital.
Por sua vez, Leonardo da Rocha Bezerra de Souza, em seu ensaio “Notas críticas sobre a transição energética: discurso, conflito e tensões no semiárido potiguar”, apresenta uma análise crítica da expansão das energias renováveis no sertão do Rio Grande do Norte, argumentando que o discurso da “transição energética” opera como uma nova forma de dominação de caráter capitalista e neocolonial. A partir de observação participante e pesquisa etnográfica, o autor evidencia que a instalação de usinas eólicas e solares provoca conflitos socioambientais, especulação da terra, precarização do trabalho e impactos diretos nas comunidades rurais e tradicionais, muitas vezes sem consulta ou participação efetiva dessas populações. O texto mostra que, embora associada à ideia de desenvolvimento sustentável, essa transição gera zonas de sacrifício e intensifica desigualdades, configurando-se como um campo de disputa entre interesses econômicos e a defesa dos territórios, modos de vida e direitos das populações locais.
Já o ensaio “Cidade-catálogo e ruínas da modernidade: por um contra-arquivo da financeirização urbana no Nordeste brasileiro”, de Arthur Leonardo de Lima Pereira, propõe o conceito de “cidade-catálogo” para analisar como centros urbanos do Nordeste brasileiro vêm sendo reorganizados sob a lógica da financeirização e das plataformas digitais, transformando territórios em produtos voltados ao consumo e ao lucro. Ao articular esse conceito com a ideia de “ruínas da modernidade”, o autor demonstra que o esvaziamento de áreas urbanas, a expulsão de moradores e a produção de vazios não são acidentais, mas parte de um processo ativo de valorização imobiliária e extração de valor. Em diálogo com a antropologia urbana e a teoria crítica, o texto destaca o papel do colonialismo digital na intensificação dessas dinâmicas e propõe a construção de “contra-arquivos visuais” como forma de resistência, capazes de revelar memórias, experiências e modos de vida invisibilizados, afirmando a cidade como espaço de disputa e possibilidade de ação coletiva.
Victória Mello Fernandes em seu ensaio “O urbano sob os signos da modernidade: entre crises e desastres”, analisa o espaço urbano como produto e expressão da modernidade capitalista-colonial, evidenciando como cidades são estruturadas por relações de dominação, exploração e desigualdade socioambiental. A partir de exemplos como as enchentes no Rio Grande do Sul, a expansão das energias renováveis e a financeirização da moradia, o texto argumenta que crises e desastres não são eventos isolados, mas consequências de um modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro e a acumulação em detrimento da vida. Nesse contexto, o urbano é transformado em ativo econômico, produzindo exclusões, precarização e zonas de sacrifício, especialmente para populações vulnerabilizadas. Ao mesmo tempo, o artigo destaca que a cidade também é um campo de disputa, onde resistências e práticas coletivas emergem, apontando para a necessidade de repensar o desenvolvimento a partir da justiça social, territorial e ambiental.
O artigo “Grandes empreendimentos urbanos e a construção discursiva do bloco hegemônico de poder: uma análise do caso porto-alegrense”, de Filipe Campello Rosa, analisa como a construção de grandes empreendimentos urbanos em Porto Alegre é legitimada por um discurso articulado entre poder público, setor empresarial e mídia hegemônica, que associa esses projetos a ideias de “desenvolvimento”, “progresso” e “modernização”. A partir da Teoria do Discurso, o autor demonstra que essa narrativa cria um “efeito de verdade” ao apresentar tais empreendimentos como solução inevitável para melhorar a vida urbana, enquanto desqualifica opositores como agentes do atraso. No entanto, o texto também evidencia que eventos climáticos extremos recentes tensionam essa hegemonia discursiva, exigindo novas estratégias de legitimação, como a incorporação do discurso ambiental. Assim, o artigo destaca a relação entre discurso e materialidade, mostrando que a produção de sentidos sobre o urbano é resultado de disputas de poder que articulam interesses econômicos, simbólicos e condições concretas da realidade.
O ensaio fotográfico “De olho no conflito energético potiguar”, de Marina Layssi, apresenta uma reflexão crítica sobre os impactos socioambientais da expansão de usinas eólicas e solares na Caatinga do Rio Grande do Norte, especialmente na região do Seridó. A partir de uma perspectiva pessoal e territorial, a autora articula sua vivência como moradora afetada, estudante e integrante do Movimento de Atingidas/os pelas Renováveis (MAR-RN), utilizando a fotografia como ferramenta de denúncia e resistência. As imagens revelam as transformações impostas pelo avanço do capital energético, evidenciando conflitos pelo uso dos bens naturais, processos de desertificação e desequilíbrios ecológicos. O trabalho propõe uma imersão sensível no semiárido, questionando o discurso de “energia limpa” e destacando a conexão entre corpo, território e memória ancestral diante de um modelo de desenvolvimento que ameaça a biodiversidade e os modos de vida locais.
Este número conta, ainda, com uma resenha intitulada “Netos restituídos: memória, parentesco e política”, elaborada por José Maycom da Silva Cunha acerca da tese “Pessoas memoriais: práticas de parentesco e política na Argentina” (USP/UBA, 2025), de Aline Lopes Murillo, destacando sua relevância para a antropologia ao investigar como filhos de desaparecidos da ditadura argentina, conhecidos como nietos restituidos, reconstruem suas identidades após a restituição. Com base em etnografia e análise documental, o trabalho mostra como sangue (DNA), nome e narrativa atuam como elementos centrais na recomposição de vínculos familiares, memória e ação política. A autora argumenta que esses sujeitos se tornam “pessoas memoriais”, ao corporificarem a memória e transformarem suas experiências em testemunho e militância. A resenha enfatiza o rigor metodológico e a sensibilidade teórica da pesquisa, evidenciando sua contribuição para compreender os processos de justiça, memória e reconstrução democrática na América Latina.
Este conjunto de materiais, por sua vez, amalgamou-se em um dossiê , onde se propõe uma reflexão crítica e situada sobre as múltiplas formas de produção e disputa do território no contexto contemporâneo, com ênfase nas transformações socioambientais impulsionadas por projetos de desenvolvimento e pela lógica da modernidade capitalista. A partir de diferentes abordagens — que vão da antropologia à sociologia urbana, passando pela fotografia como linguagem sensível — os trabalhos reunidos evidenciam como discursos de “progresso”, “transição energética” e “modernização” operam na legitimação de intervenções que reconfiguram espaços rurais e urbanos. Ao mesmo tempo, o dossiê valoriza perspectivas enraizadas nas experiências dos sujeitos afetados, revelando conflitos, resistências e formas de reexistência que tensionam essas narrativas hegemônicas e recolocam em debate as relações entre corpo, território, memória e natureza.
O dossiê converge à uma interpretação radical sobre as transformações contemporâneas que envolvem pensar dinâmicas sociais que flexibilizam ou extirpam fronteiras ontológicas entre o urbano e o rural, entre o espírito citadino e a realidade material que se apresenta em novos-velhos dilemas e fenômenos sociais. Uma marca registrada desses trabalhos, que se faz bastante presente transversalmente no seu conjunto, é o ethos de produção confrontadora à colonialidade do poder (Quijano, 2005; Mignolo, 2017, Segato, 2021), através da qual torna possível não apenas vislumbrar uma análise antropológica e sociológica rigorosa sobre essas realidades, mas também alocar-se social, política e moralmente no contexto de uma discussão ecossocial (Svampa e Viale, 2025), observando na emergência do antropoceno à constituição (ou a destruição) dos mundos expiada por processos (ou rituais) cuja potência não consiste apenas em atestar a própria impotência humana ou o fim do mundo — o apocalipse, seja ele apresentado nas telas do cinema, nas plataformas de streaming ou nas narrativas mítico-religiosas —, e sim, destacar as reconfigurações do habitat, enxergando além do capitalismo e seu padrão global de exploração, expropriação e destruição, as maneiras de ser, agir e produzir um mundo, seja ele baseado nas experiências do bem-viver (andino, tupi, quilombola, etc.), seja incorporando o perspectivismo ameríndio ou por meio dos feminismos ecossociais (Acosta, 2012; Danowsky e Viveiros de Castro, 2017; Svampa e Viale, 2025).
Nesse sentido, os artigos dialogam ao evidenciar que tanto a expansão das energias renováveis no semiárido quanto os grandes empreendimentos urbanos e a plataformização das cidades fazem parte de uma mesma racionalidade, que transforma territórios em ativos econômicos e produz desigualdades socioespaciais. Enquanto alguns textos analisam a construção discursiva que sustenta esses processos, outros enfatizam seus impactos concretos e as respostas coletivas que emergem diante deles, como movimentos sociais, práticas de memória e produções visuais contra-hegemônicas. Em conjunto, os trabalhos demonstram que o chamado desenvolvimento não é neutro nem inevitável, mas resultado de disputas políticas e simbólicas, apontando para a necessidade de construir alternativas baseadas na justiça territorial, na escuta das populações locais e na valorização de modos de vida que resistem à lógica de mercantilização da vida.
Acosta, Alberto. O Buen Vivir Uma oportunidade de imaginar outro mundo. In: Um campeão visto de perto: uma análise do modelo de desenvolvimento brasileiro. Bartelt, Dawid D. (Editor). Rio de Janeiro: Heinrich-Böll-Stiftung, 2012.
Cunha, José M. da S. Do sertão à cidade: a fantasmagoria e a insaciável fome da modernidade. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p. 1-11.
Cunha, José M. da S.. Nietos restituidos: memória, parentesco e política. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p. 1-4.
Danowski, Déborah, Viveiros de Castro, Eduardo. Há um mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins. Florianópolis, ISA, 2017.
Souza, Leonardo da R. B de. Notas críticas sobre a transição energética: discurso, conflito e tensões no semiárido potiguar. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p. 1-22.
Fernandes, Victória M. O urbano sob os signos da modernidade: entre crises e desastres. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p. 1-18.
Layssi, Marina. De olho no conflito energético potiguar. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p.1-16.
Mignolo, Walter. Colonialidade: O lado mais escuro da modernidade. RBCS, v. 32,, n. 94, 20174, pp. 1-18.
Pereira, Arthur L. de L. Cidade-catálogo e ruínas da modernidade: por um contra-arquivo da financeirização urbana no Nordeste brasileiro. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p.1-13.
Quijano, Aníbal. Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. Estudos Avançados, v. 19, n. 55, 2005, pp. 9–31. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-40142005000300002.
Rosa, Filipe C. Grandes empreendimentos urbanos e a construção discursiva do bloco hegemônico de poder: uma análise do caso porto-alegrense. Cadernos Mulungu (online), vol. 1, n. 1, 2026, p.1-14.
Segato, Rita. Crítica da Colonialidade e oito ensaios e uma antropologia por demanda. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
Svampa, Maristela., Viale, Enrique. Transição ecossocial justa: perspectiva do Sul Global. São Paulo, Elefante, 2025.
Sobre os autores
José Maycom da Silva Cunha é professor e pesquisador. Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2026). Bacharel em Ciências Sociais (2017) e Mestre em Antropologia Social (2020) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Licenciado em Ciências Sociais (2023) e Especialista em Educação Inclusiva (2023) pela Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL). Integra os grupos de pesquisa: Artes, Saberes e Antropologia (Coletivo ASA/USP); Gênero, Corpo, Saúde e Sexualidade (GCS/ UFRN); e, Religião, Artes, Materialidades e Espaços Públicos (MARES/UFRGS). Atua nas linhas de pesquisas A memória e suas artes; Corpo, gênero e Sexualidade; Arte Pública, Agenciamentos Políticos e Configurações Urbanas. Editor no Coletivo Editorial Fulor de Mulungu. Professor Substituto no Departamento de Antropologia e Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Leonardo da Rocha Bezerra de Souza é sociólogo, professor e pesquisador. Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2025). Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2020). Licenciado em Sociologia pelo Centro Universitário Internacional (2025). Comunicador Social formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2017). Atua como Professor de Sociologia na Secretaria da Educação do Estado do Ceará (SEDUC). Participa dos grupos de pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento (GPACE/UFRGS) e do Laboratório de Estudos Rurais (LabRural/UFRN). Realiza pesquisa no INCT - Participa. Suas investigações científicas se concentram nas áreas da sociologia e antropologia das relações étnico raciais, da ação coletiva e do desenvolvimento; cultura, política e sociedade; ética da libertação e o pensamento de Enrique Dussel; e avaliação de políticas públicas. Especificamente, tem se dedicado aos estudos sobre comunidades quilombolas e povos tradicionais, impactos e conflitos socioambientais, territoriais e da transição energética, além dos estudos socioantropológicos sobre suicídio. Atua na assessoria e consultoria de comunidades tradicionais, associações, sindicatos, movimentos sociais e coletivos políticos. É editor do coletivo editorial Fulor de Mulungu e da Revista Cadernos Mulungu.
Autoria: Os autores são responsáveis pela coleta de dados, sistematização e síntese dos argumentos apresentados ao longo do texto, bem como por sua escrita.
Financiamento: Não especificado.
Recebido em: 25/04/2026
Aprovado para publicação em: 07/06/2026